A inveja é sorrateira, silenciosa.
Ela não anuncia chegada,
não levanta a voz,
não pede licença.
Às vezes se apresenta como bondade,
outras como cuidado excessivo.
Sorri enquanto observa,
elogia enquanto mede,
aplaude enquanto calcula.
A inveja sabe ouvir seus sonhos
apenas para compará-los aos dela.
Sabe perguntar da sua vida
não por interesse,
mas por desejo.
Ela entra no trabalho,
circula entre mesas,
cresce nos corredores.
Depois atravessa a porta da sua casa,
senta no sofá,
toma seu café
e se acomoda —
como quem pretende ficar.
A inveja não quer apenas o que você tem.
Ela quer o que você é.
Sua paz,
sua leveza,
sua fé,
sua coragem de continuar
mesmo sem aplausos.
E o mais perigoso:
a inveja se fortalece quando não é percebida.
Quando confundida com amizade,
quando aceita sem discernimento,
quando alimentada pela exposição excessiva
e pela confiança sem limites.
A inveja cega quem sente
e tenta escurecer quem recebe.
Ela não destrói de uma vez,
vai minando aos poucos:
desanima, confunde, enfraquece.
Por isso, vigie.
Nem todo sorriso é abrigo.
Nem todo elogio é torcida.
Nem toda presença carrega boas intenções.
Proteja sua essência.
Guarde seus sonhos.
E lembre-se:
quem caminha na luz
não precisa apagar ninguém para brilhar.

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